“Eu sou dos que acredita que mais de 90% do sucesso vem do trabalho”

Foto: Hélder Santos

O treinador do Marítimo, Daniel Ramos, considerou o trabalho como o ingrediente principal do seu trajeto bem-sucedido nos ‘verde rubros’, nos quais deseja continuar, e destacou a excelente relação com os futebolistas e o presidente Carlos Pereira.

Poucos dias após ter derrotado o Sporting de Braga, estando agora a apenas um ponto do quarto lugar, e na véspera da deslocação ao Estádio do Dragão, para medir forças com o líder FC Porto, o técnico relembrou à agência Lusa os últimos 15 meses vividos na Madeira, com um grande sorriso.

Daniel Ramos chegou ao Marítimo num momento delicado, pois a equipa encontrava-se no penúltimo lugar, mas acabou por mudar por completo a onda de resultados e terminou a temporada transata na sexta posição, com o coroar do apuramento às provas europeias, o que não acontecia no clube desde 2012.

“Basta voltarmos ao mês de setembro da época passada e perceber como estava o Marítimo na altura. Era a minha primeira oportunidade na I Liga e pensei em fazer um bom trabalho, tirar o Marítimo do fundo, levá-lo para o meio e fazer uma época positiva. Temos vindo a somar bastante, a dar alegrias, a formar jogadores e a perder jogadores, mas sentimo-nos bem com isso, porque se saem valorizados, demos o contributo e ajudámos e o clube também tem um retorno financeiro”, resumiu.

O nome do treinador já consta várias vezes no livro dos recordes do clube, ao ter conseguido, em março, a maior sequência invencível de sempre na I Liga – 10 jogos -, além de ter feito nesta época o melhor arranque no principal escalão.

Mesmo assim, o maior dos destaques do ‘reinado’ de Daniel Ramos é o facto de o Marítimo ainda não ter conhecido o sabor da derrota no campeonato em casa, uma série que já lá vai em 23 partidas, marca que o deixa “orgulhoso” e que resulta da união do balneário e do trabalho feito.

“Eu sou dos que acredita que mais de 90% do sucesso vem do trabalho. É trabalhar bem, com rigor, com exigência, com dedicação, com planeamento, compromisso, com a liderança conquistada perante um grupo, o que se reflete em momentos de maior dificuldade, em que acabámos sempre por dar uma boa resposta, o que é sinal que a equipa está unida e o que faz com que o Marítimo seja uma equipa difícil de bater”, destacou, revelando vontade em “bater ainda mais recordes”, porque “o futebol é para quem ganha”.

Com o sucesso alcançado, o técnico já foi associado a outras paragens, mais recentemente aos franceses do Lille, e, apesar de ambicionar projetos mais exigentes no futuro, o interesse passa por continuar no Marítimo, onde se sente feliz.

“É com orgulho que represento este grande clube. Quero mais para a minha carreira, mas sinto-me contente, sinto-me grato a quem apostou em mim, nomeadamente ao presidente e ao Briguel (diretor desportivo). Estou totalmente concentrado no Marítimo. Ainda tenho contrato para esta época e mais outra. Se alguma vez se proporcionar uma saída, tem de ser por uma razão muito boa e muito forte, porque sinto-me bem. Gosto da ilha, gosto das pessoas, gosto do carinho dado à equipa”, comentou.

No caso de lhe ser apresentado uma proposta convincente para sair do emblema maritimista, a primeira pessoa a saber seria o presidente, Carlos Pereira, com quem se dá muito bem.

“Sabemos que o presidente tem um feitio especial e, às vezes, não agrada a toda a gente, mas, comigo, temos tido uma relação boa e aberta. Quando achar que há alguma coisa que não estou de acordo, digo-lhe e, quando sou a favor, aplaudo-lhe. A interação e a empatia entre treinador e presidente é extremamente importante”, afirmou, revelando que o presidente ‘verde rubro’ tem “mau perder”, mas que “felizmente, tem perdido pouco”.

A pouco mais de duas semanas da reabertura do mercado de transferências, um tema que ganha importância é a restruturação do plantel e Daniel Ramos já teve reuniões com Carlos Pereira sobre o assunto e, sem querer entrar em detalhes, a ideia passa por estar atento e avaliar.

“Estou contente com o plantel, em termos gerais de comportamento. É claro que é desejável mais qualidade em certas posições, mas é assim em todos os plantéis. Se isso vai ser possível ou não, vamos ver. Entrar por entrar ou sair por sair não interessa. É preferível manter um grupo de trabalho que tem dado mostras que vai conseguindo levar água ao seu moinho. Mais importante que entrar, é não sair jogadores importantes”, respondeu.

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